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Complexo de vira-latas do brasileiro: como ele afeta a adaptação no exterior

O complexo de vira-latas do brasileiro é um termo criado pelo escritor Nelson Rodrigues em 1958 para descrever a inferioridade que muitos brasileiros sentem em relação a outros países e culturas. Infelizmente, essa mentalidade ainda é presente na sociedade brasileira atual e pode afetar a adaptação de brasileiros que decidem viver no exterior. Neste texto, exploraremos como o complexo de vira-latas pode influenciar a vida de brasileiros que se mudam para outros países, os desafios que enfrentam e as possíveis formas de superar esses obstáculos.

Por Marco Vasconcelos

Publicado em 28 de abril de 2023

Atualizado há 1 ano

O complexo de vira latas do brasileiro  como ele afeta a adaptação de brasileiros na vida no exterior   Creditos   Amruth Pillai

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O que é o complexo de vira-latas?

O complexo de vira-latas pode ser definido como a crença de que tudo que vem de fora é melhor do que aquilo que é produzido no Brasil. É a sensação de inferioridade em relação a outros países e culturas. É importante notar que esse sentimento não é exclusivo do Brasil e pode ser encontrado em outros países em desenvolvimento. No entanto, o termo foi criado no Brasil e ainda é muito presente na cultura e na sociedade.

O complexo de vira-latas é algo que pode afetar a autoestima dos brasileiros. Muitos se sentem inferiorizados e incapazes de competir com outras culturas. Essa mentalidade pode levar a uma falta de confiança em suas habilidades e em si mesmos também conhecida como síndrome do impostor.

O complexo de vira-latas na vida no exterior

Quando brasileiros se mudam para outros países, o complexo de vira-latas pode se intensificar. Eles podem se sentir ainda mais inseguros e com medo de não serem aceitos pela nova cultura. Essa insegurança pode levar a dificuldades na adaptação e a problemas de autoestima.

Além disso, a língua é muitas vezes uma barreira para os brasileiros que se mudam para outros países. Mesmo aqueles que falam outro idioma podem ter dificuldades em se comunicar em um nível profundo e significativo. Isso pode levar a sentimentos de isolamento e solidão.

Outro fator que pode agravar o complexo de vira-latas na vida no exterior é a falta de familiaridade com as tradições e hábitos locais. Brasileiros podem se sentir perdidos e incapazes de se adaptar a novos costumes. Eles podem se comparar constantemente com a cultura que deixaram para trás e se sentir inferiorizados em relação à nova cultura.

Leia também: Conheça 17 leis em Quebec bem estranhas para recém-chegados

Sinais do complexo de vira-latas no ambiente de trabalho

Existem muitos sinais que podem indicar que você sofre da complexo de vira-latas em seu ambiente de trabalho quando escolher viver no exterior. Alguns a serem observados são: 

Complexo de vira-latas do brasileiro: como ele afeta a adaptação no exterior
Procurando emprego – Fonte: Banco de Imagens
  • Atribuir seu sucesso a fatores externos: Mesmo sendo um profissional de sucesso em sua área, você atribui suas realizações a fatores externos, como sorte, acaso ou outras pessoas. Independentemente de quantas promoções você recebe ou quanto feedback positivo recebe no trabalho, você está convencido de que não o conquistou por mérito próprio.
  • Duvidar de si mesmo: você questiona suas decisões e evita fazer algo em que acredita simplesmente porque subestima sua própria experiência e conhecimento. 
  • Ser excessivamente crítico em relação ao seu trabalho: você se concentra em seus erros, e não em suas realizações. Não importa o quanto você trabalhe, você se convenceu de que sempre pode fazer melhor e, em vez de se parabenizar pelo desempenho anterior, só encontra motivos para criticar.
  • Medo de ser descoberto ou exposto como uma fraude: Mesmo sendo bom no que faz, você está convencido de que é uma fraude e é apenas uma questão de tempo até ser “pego”. Você não acredita que merece seu trabalho e, como resultado, muitas vezes se preocupa com o dia em que todos perceberão isso também.
  • Medo de ficar aquém das expectativas: você se mantém em padrões excessivamente altos e assume que seus colegas, colegas e gerentes também o mantêm de acordo com esses padrões. Você considera tudo o que faz que não atende a esses altos padrões como um fracasso. Você pode sentir a necessidade de trabalhar muito (e assumir mais estresse) por causa do medo do fracasso.
  • Suas realizações não o tranquilizam: embora você esteja determinado a atender às expectativas que estabeleceu para si mesmo, nem mesmo suas realizações o tranquilizam. Em vez disso, você pode pensar que eles fazem parte da “ilusão” de sucesso que você criou para si mesmo.
  • Ser excessivamente sensível à crítica construtiva: você não apenas descarta o feedback positivo, mas também tende a se concentrar apenas no aspecto negativo da crítica construtiva. Ao fazer isso, você confirma seu senso de inferioridade ou percepção de falta de inteligência ou experiência.
  • Subestimar sua experiência: você pode evitar compartilhar seu conhecimento e ideias por medo de que outras pessoas duvidem de você ou riam de você. E, quando os outros procuram orientação em você, você se esforça para fornecê-la com confiança ou subestimar seu nível de especialização.

Superando o complexo de vira-latas no exterior

Superar o complexo de vira-latas pode ser um desafio, mas é possível. Uma das primeiras coisas que os brasileiros podem fazer é aprender sobre a nova cultura. Ao entender as tradições, hábitos e crenças locais, os brasileiros podem se sentir mais confortáveis e confiantes em sua capacidade de se adaptar. É importante lembrar que nenhuma cultura é melhor ou pior do que outra – elas são simplesmente diferentes.

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Dicas para lidar com o complexo de vira-latas como recém-chegado

Esteja aberto a novos desafios: Não evite oportunidades de trabalho desafiadoras porque tem medo de ser exposto como uma fraude. Se você hesita em assumir um novo projeto no trabalho, pergunte-se por que e não deixe que o medo ou a dúvida sejam o fator limitante. Na verdade, assumir novos desafios pode ajudá-lo a desenvolver habilidades e confiança para superar o complexo de vira-latas.

Reconheça o valor do seu trabalho: Você provavelmente passou anos desenvolvendo experiência em suas habilidades. O que você considerava uma tarefa desafiadora agora é fácil e, como resultado, você pode subestimar suas capacidades. Mas só porque algo é fácil para você, não significa que seja fácil para todos os outros. Para combater essa negatividade, pode ser útil atribuir um valor monetário ao seu trabalho, como calcular o que sua organização pagaria para terceirizar suas tarefas ou quanta receita seu trabalho gerou em um determinado período de tempo. 

Busque ajuda: Se você tem um colega de trabalho, mentor ou gerente em quem confia, fale abertamente sobre sua luta contra a síndrome do impostor. Eles podem ajudar a mantê-lo fundamentado, fornecendo uma avaliação mais realista do seu trabalho. Discutir sua situação com seu gerente também pode ajudar a garantir que sua carga de trabalho seja administrável e que você não esteja dedicando muito tempo aperfeiçoando algo que já está bem feito.

Conecte-se: Outra forma de superar o complexo de vira-latas é encontrar um grupo de brasileiros no país de acolhimento. Esses grupos podem fornecer apoio emocional e social, além de compartilhar experiências comuns. É importante lembrar que, embora esses grupos possam ser úteis, não devem ser a única fonte de conexão social. Os brasileiros devem buscar conhecer pessoas de outras culturas também, mesmo que não haja um aprofundamento da relação.

Leia também: Quebec para brasileiros recém-chegados: Dicas sobre a cultura local

Por fim, é importante lembrar que superar o complexo de vira-latas não é algo que acontece da noite para o dia. Pode levar tempo e esforço constante para mudar a mentalidade.

Palavras finais

O complexo de vira-latas do brasileiro pode ser uma barreira significativa para aqueles que decidem viver no exterior. Sentimentos de inferioridade em relação a outras culturas podem levar a dificuldades na adaptação e a problemas de autoestima.

À medida que você começa a construir sua carreira no Canadá em um novo ambiente de trabalho, sentimentos como este podem surgir. É importante dar um passo atrás e ter uma visão imparcial do valor que você agrega e sua contribuição para os objetivos da organização. Lembre-se de pegar leve consigo mesmo e saber que não há estigma em procurar apoio, se necessário.

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Se não fosse a minha rede de amigos e as várias comunidades em que me integrei, é provável que demorasse mais tempo para atingir os resultados que consegui. Deixe o medo e angústias de lado, o mais díficil você já fez, que foi mudar de país. Tenha em mente empregadores precisam muito de você, não fosse isso, você não teria começado seu plano de vir para o Canadá.

Somos muito bons no que fazemos, e não apenas porque temos uma formação de qualidade, mas também pela elevada capacidade de resolver problemas com poucos recursos. Estamos o tempo todo tentando fazer mais com menos e, para países ricos como EUA e Canadá, isso é quase que uma piada com o tamanho do mercado deles.

Quando empregadores canadenses encontram um profissional brasileiro de gabarito eles não tem dúvidas sobre a capacidade de adaptação e produtividade, pois já contruímos uma ótima reputação entre os recrutadores.

O desafio de sair do país está longe ser um conto de fadas, mas traz muitas recompensas a médio e longo prazo. Eu mesmo fiz essa travessia e no regrets. O mesmo pode ser dito de muitos de meus amigos brasileiros, técnicos, engenheiros e cientistas. Todos muito bem empregados e realizados profissionalmente. É realmente uma pena não poder fazer isso em sua própria pátria. Só quem perde nessa conta é o próprio braza, que vê cada vez mais seus talentos partindo da terrinha.

Bom, era isso que eu tinha para dizer hoje. Se quer mais dicas como essas, inscreva-se em nossa newsletter para receber atualizações sobre a vida no Canadá, sobretudo em Quebec e Montreal.

Nos vemos no próximo post! 😉

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SOBRE O AUTOR

Pernambucano de raiz longe da terrinha desde 2018. Mais de duas décadas dedicadas à tecnologia web, comércio eletrônico e marketing. Nas horas vagas, sou pai, esposo, apaixonado por ciclismo, blogueiro e tiktoker. Enfin, é isso que eu faço.

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